Blog do VT – Com reforços, Botafogo-PB encorpa elenco e ganha opções

Os reforços chegados após o título Paraibano dão alternativas para o time de Itamar Schulle não se tornar previsível na Série C

Foto: Vitor Oliveira/ Voz da Torcida

A estreia na Série C no último domingo trouxe algumas boas notícias para o torcedor do Botafogo-PB. Certo, o empate por 0 a 0 com o Cuaibá-MT jogando no Almeidão, uma semana depois de ter sido campeão estadual, está longe de ser um resultado a ser comemorado, mas as opções que o treinador Itamar Schulle ganhou após o término do Paraibano é um ponto a ser destacado.

Entre o título doméstico e a estreia no torneio nacional, o Belo apresentou seis reforços. O lateral esquerdo Alyson (ex Atlético-PB), os volantes Patrick Mota (ex Treze), Magno (ex Campinense) e Luiz Gustavo (ex Atlético-PB), o meia Cleyton (ex CSA-AL) e o atacante Dico (ex Treze) chegaram a Maravilha do Contorno para encorpar o elenco botafoguense.

Se no início do estadual Itamar olhava para o banco e contava com opções como Biro Biro, Gustavo e Warley – e basicamente só, se precisava ir para frente e mudar o resultado de um jogo -, agora ele tem peças que trazem a ele opções para vários estilos de jogo.

Tomando um pouco do papel do amigo e especialista Yan Cavalcanti, vamos fazer a leitura tática de algumas situações.

Ao começo do jogo contra o Dourado, Itamar optou pelo esquema 4-1-4-1. Com dois estreantes, (Alyson e Dico), além de um Val bem sumido, o time teve pouca mobilidade e só chegava a área adversária em bolas paradas.

O Belo começou o jogo com essa escalação. A falta de mobilidade dos jogadores atrapalhou o rendimento time

Itamar apostou em Sapé e Dico abertos pelos lados para impedir as subidas dos laterais do time matogrossense, o que funcionou. Porém, os dois pouco contribuíram com a construção de jogadas. Dico, que mal treinou com os companheiros, lembrava mais do seu estilo de jogo no Treze, onde jogava com liberdade, e pouco encostou em Rafael Oliveira, que ficou isolado na frente praticamente os 90 minutos.

No segundo tempo, o treinador resolveu sair um pouco mais e foi mudando a equipe. Wanderson, Patrick Mota e Warley entraram nas vagas de Val, Alyson e Dico, respectivamente. Bagunçado dentro de campo, na teoria o time ficou entre um 3-4-3 e um 3-5-2, com Wanderson caindo mais para a linha do meio, armando pela direita, e Warley junto de Rafael Oliveira entre os zagueiros cuiabanos, mas que pouco rendeu também, tanto pela falta de entrosamento, quanto pela retranca armada pelo adversário, que não dava espaço (além da péssima arbitragem, que parava o jogo o tempo todo).

No fim do jogo, o Belo terminou todo pra cima. Patrick Mota estreou fechando o setor esquerdo e afunilando. Com dois atacantes de pouca mobilidade (Warley e RO), o time não conseguiu furar a retranca adversária

Se as variações propostas por Itamar não funcionaram com Cuiabá, agora que o Belo não tem mais partidas quarta e domingo, com tempo para treinar, o treinador pode azeitar o time e testar outras alternativas de jogo.

Se mantiver o 4-1-4-1 que começou contra o Cuiabá, na minha visão, uma mudança natural será a entrada de Magno no lugar de Val. O volante bicampeão estadual pelo Campinense traz fôlego, mobilidade e toque de bola mais qualificado que o veterano meio campista, que pode vir a ser uma boa opção para momentos em que o time, com resultado garantido, precise cadenciar mais o jogo. Fernandinho e Fernandes abertos nas pontas auxiliariam Cleyton, que herdaria a vaga do irregular Marcinho, na armação das jogadas, e também combateriam as subidas dos laterais adversários.

Mantendo o 4-1-4-1, o Belo ganha mais mobilidade com Magno no meio, Fernandes e Fernandinho dos lados, e com Cleyton sendo uma alternativa a Marcinho, muito irregular em 2017

Outra opção, esta para enfrentar adversários mais frágeis (para um time que tem a ambição de subir de divisão, é importante admitir sua superioridade técnica ou apenas uma gana maior, e tomar a atitude de sair pro jogo, obviamente respeitando os rivais) e, principalmente, para os jogos em casa, onde o time terá sempre a obrigação de vencer, pode até surpreender muita gente, mas é uma possibilidade muito válida.

Revelação do clube, xodó da torcida e um dos melhores jogadores do time – sem dúvida o mais disciplinado e que mais reconhece suas limitações -, o volante Djavan pode ser sacado dos titulares pela preferência por uma saída de bola de mais qualidade e com jogadores mais criativos no meio campo. Magno e Patrick Mota são dois meio campistas que marcam bem e tem bom passe, então podem agregar mais que o jovem jogador, que é um marcador implacável, mas ainda não tem os predicados necessários para ser considerado um bom jogador para fazer a transição entre a defesa e o ataque. O esquema seria o 4-2-3-1.

Djavan pode sair do time, que perderia um pouco da pegada, mas ganharia em qualidade de passe

Fernandinho e Dico nos lados podem dar o suporte na marcação que faltaria com a opção pela ausência do camisa 7 e cão de guarda da defesa.

Durante o primeiro semestre, por muitas vezes Magno fez dupla na volância com Fernando Pires – outro que tem qualidade com a bola – no Campinense, e foi quando o rubro negro teve seus melhores momentos na temporada, com Negretti empurrado para a lateral direita, improvisado.

A derradeira alternativa que deixo é para um jogo em que o time precise segurar o resultado, mas sem deixar de jogar. Num mata-mata para o acesso, quem sabe.

O esquema de três zagueiros, que por muitas vezes deu equilíbrio ao time de Itamar em 2016 poderia voltar a tona, mas desta vez com mais jogadores pensantes para povoar o meio campo, dando a qualidade necessária para, quando tiver a bola, saber o que fazer e não ficar apenas se defendendo.

Com Sapé e Fernandinho abertos pelos lados, o time teria a pegada necessária para se fechar, além de qualidade nos momentos em que tivesse a posse de bola

Com esse esquema tático, no 3-6-1, Djavan protegeria a defesa, auxiliado pelos alas, e teria o toque de bola necessário para sair jogando, com Magno e Patrick Mota. Com mais liberdade, Cleyton pode avançar um pouco para encostar em Rafael Oliveira, juntamente com Fernandinho, que já vem fazendo esse papel quando joga pelos lados. Lembrando que Sapé, em boa parte de sua carreira, jogou como ala/lateral direito.

Com o elenco mais encorpado, Itamar Schulle tem várias opções para fazer o Belo jogar, o que é muito importante para uma Série C que tem 18 rodadas só na primeira fase, e a previsibilidade de um time, por mais talentoso que seja, pode ser determinante para por fim ao sonho, como o do Belo, do acesso para a Série B.

Élison Silva
Editor e comentarista

Equipe @Vozdatorcida

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