Blog do VT – Desculpem-nos, erramos!

Desculpem-nos, erramos!

Temos que fazer a mea culpa também. Há quase dois anos o arqueiro Michel Alves chegou ao Botafogo-PB com moral. Pompa de quem tinha uma carreira brilhante e passado por vários clubes. No momento que Michel chegou ao Belo, com status de estrela, e maior salário do elenco, sem jogar há algum tempo, a boa vontade da imprensa paraibana foi gigante. Começamos a errar daí.

Para botar os pingos nos “is” é importante dizer que estou falando da imprensa séria. Rara, pequena, mas séria. Nada mais do que a obrigação de cada um integrante dessa seleta lista, porém. Mas sabe como é. Num país como o Brasil, a obrigação da ética vira virtude. E essa virtude é quase que tida como empáfia, nos corredores. Pois essa imprensa séria, que se coloca merecidamente como tal, também erra. E muito. Não é pouco não. E dificilmente faz autocrítica. Se resume basicamente a apontar erros de dirigentes, muitas vezes de formas altamente superficiais. Uma galera boa, mas altamente automática. Pois bem. Se vivemos num mundo em que matérias ou artigos jornalísticos com tons mais críticos são quase que contatos de extraterrestres com seres humanos a culpa é nossa.

Desde que Michel Alves chegou ao Botafogo-PB, o arqueiro é presença VIP nas coletivas de imprensa. É uma assiduidade que beira à do CDF em aula de revisão de vestibular. De modo que suas entrevistas são praticamente releases para cada redação. Sempre tem. Cada dia era uma entrevista de Michel Alves na televisão.

Boa pinta, boa fala. Às vezes, até, com uma análise legal da partida anterior ou da que estava por vir. Enfim, Michel Alves é disparadamente o jogador que dá mais entrevistas da Paraíba. E, o pior, sem ser questionado por sua performance. E não é de agora que ele vem mal. Aliás, ele nunca foi um goleiro incontestável. Repito, nunca. Não é questão de opinião. É de audição e visão e de alguns minutos na arquibancada do Almeidão.

Essa mesma imprensa séria nunca se incomodou com tanta entrevista dada por Michel. E, olhe, era um suplício escutar grande parte delas. Nada de novo. Nenhum questionamento. Nem da nossa turma séria. Até que Michel, do nada, passou a ser ídolo nas letras, faladas ou escritas, da mídia esportiva paraibana. Um absurdo jornalístico. Reproduzido por muitos… dos sérios.

Explicado o processo fica mais fácil entender quando a crítica passa a ser uma desordem de uma cultura absolutamente induzida ao erro. Nesta semana, com bastante atraso, eu diria, o amigo e colega Élison Silva fez um verdadeiro dossiê que explicava o quanto a má fase, escancarada, do arqueiro Michel tem custado ao time do Botafogo-PB. Com vídeos, análises, em suma, com tudo que um ótimo artigo de opinião tem que ter. E, sobretudo, com fatos. Erros. Erros de humanos. Que Michel comete e tem esse direito, até porque é um. Erros que nós cometemos. E pouco assumimos.

Pois é, assim como os do goleiro, nosso erro nos custa caro. Isto porque sempre que uma matéria ou artigo desse bate asa como uma borboleta, no outro polo deste mundo surge um forte tufão. São os clubes querendo lembrar que imprensa boa é aquela que fala bem. A feita pelos que não são sérios, peões de um xadrez que tem bispos de olhos vermelhos e reis de bigode. A jogada deles, das mais baixas possível, golpeiam os sérios, quando fazem boas e raras produções jornalísticas. E, lembrem-se, a culpa também é nossa. Que não fazemos deste tipo de produto, crítico e, principalmente, decente, nosso norte. Ficamos recolhidos, fazendo cobertura, e só, sem sair da área de conforto. A gente se confunde muito com Michel.

Somos ainda redações frágeis, de gente séria, mas que não estuda nem gosta e ainda acompanha pouco o universo com o qual trabalha. Redações feudais – lembra que falávamos isso da Federação de Rosilene? – construídas apenas pela genealogia da “genteboísse”, acomodadas. Ruins mesmo. Com lapsos maravilhosos. Cada vez mais raros. Equipes que não aceitam apontamento de erros. Nem de dentro. Nem dos próprios clubes que, quase sempre, estão errados, movido por esta cultura péssima que nós mesmos estamos ajudando a ter mais andares. Nem de torcedores, que já taxamos de loucos e cegos. Aliás, por vezes a gente nem gosta de torcedor. Nem da arquibancada. Nós não estamos muito aí para os leitores, ouvintes e telespectadores também. Preocupação quase zero.

Somos, sim, nós, os jornalistas sérios, parcela grande do atraso do futebol paraibano. Quase do nível dos corruptos da classe, dos despreparados e amadores dirigentes. Quase. Botamos cimento mais vezes do que tentamos martelar esse casebre construído pela cultura do “chapa branquismo”. Quem tenta quebrar a parede se machuca. Erramos muito, que nem Michel. Ele ganha mais. Nós, menos. No fim, ninguém ganha nada.

Pedro Alves
Comentarista

Equipe @Vozdatorcida

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