Blog do VT – Mesmo com um título, 2017 foi pior que 2016 para o Belo

Foto: Vitor Oliveira/ Voz da Torcida

Por mais que tenha acabado sem levantar um troféu, a temporada de 2016 do Botafogo-PB foi bem superior à atual.

Depois de um vice-campeonato estadual, o Belo fez uma campanha história na Copa do Brasil, quando enfrentou o Palmeiras nas oitavas de final, sendo melhor em três dos quatro tempos de jogo disputados entre as duas equipes.

Na terceira divisão, uma inédita classificação para o mata-mata. O acesso não veio por pouco. Um gol sofrido aos 50 minutos do segundo tempo deixou o time paraibano pelo caminho, e classificou o Boa Esporte-MG para a Série B do Brasileiro.

Parte do elenco que fez boa temporada ficou, assim como a comissão técnica, encabeçada pelo treinador Itamar Schulle. Alguns reforços chegaram, apostas foram feitas – e acertadas, como foi o caso de Rafael Oliveira -, e, assim, esperava-se um 2017 dos sonhos para os botafoguenses, com títulos e um acesso no fim do ano. A qualidade do plantel, inclusive, somado o ano todo, ao menos no papel, é melhor que o da temporada passada.

Mas, a verdade, é que o ano começou com uma campanha pífia na Copa do Nordeste, ficando mais uma vez na lanterna do seu grupo, vendo Vitória-BA, Sergipe e América-RN – os dois últimos na Série D – ficarem a sua frente.

Na Copa do Brasil, um vexame tão grande quanto o fatídico 10 a 0 sofrido para o São Paulo, devido as circunstâncias. O pequeno – com todo respeito – São Francisco-PA era lanterna no estadual, não havia vencido sequer um jogo na temporada, e um empate classificaria o Bota-PB para a próxima fase, no novo formato de disputa da competição. Porém, o resultado foi uma derrota por 3 a 0 que balançou a estrutura da Maravilha do Contorno pela primeira vez no ano.

Com Rafael Oliveira metendo gol atrás de gol, sendo por boa parte do tempo o artilheiro do país, o Belo conseguiu, mesmo sem convencer, conquistar o Campeonato Paraibano depois de dois vice-campeonatos. A campanha ficou longe de empolgar. O futebol pobre apresentado foi vaiado por várias vezes no estádio Almeidão, mesmo quando o time saía de campo com os três pontos.

Na Série C, a diretoria encorpou o elenco com muitas contratações. Magno e Dico vieram de Campinense e Treze, respectivamente, e logo se firmaram entre os titulares. Mas, mesmo sem render tanto quanto no passado, outros jogadores permaneciam no time titular. Fazendo um bom início de torneio, o Belo chegou até a vencer fora de casa, fato que não ocorria desde o fim de 2015 na competição nacional. Mas foi aí que começou a derrocada botafoguense.

Mesmo com a sequência de resultados negativos, o time seguia jogando da mesma forma, com os mesmos jogadores, usando um discurso de que em algum momento a fase iria virar. Não virou. A água precisou bater no pescoço, e depois de cinco derrotas em sequência, Itamar Schulle foi demitido.

Ademir Fonseca chegou com bom papo, se intitulando melhor motivador que treinador. Não acertou e nem motivou a equipe, já que nos míseros quatro jogos em que esteve no comando acumulou mais três derrotas.

Então Ramiro Souza foi efetivado, barrou alguns jogadores, fechou a casinha, e conseguiu os quatro pontos que, somados com a ajuda do Fortaleza, que venceu o Moto Club-MA, salvaram o Botafogo-PB de um rebaixamento praticamente certo.

Uma conjuntura de fatores fizeram que o time, mesmo com um troféu a mais em sua galeria, tivesse uma temporada ruim. Diretoria, comissões técnicas e jogadores, cada um tem que assumir sua parcela de responsabilidade. Uns mais, outros nem tanto.

Por exemplo, frequentemente criticada, a diretoria do Botafogo-PB deu boas condições de trabalhos, fez contratações e cumpriu com a obrigação de manter salários em dia. Entretanto, demorou a fazer cobranças e avaliações necessárias. Com a estrutura dada, esperava-se melhor rendimento desde o início do ano, coisa que não aconteceu. Alguns jogadores remanescentes de 2016 estiveram muito abaixo. Alguns pareciam ser protegidos e ter vaga cativa no time (vocês sabem quem).

Com um grupo de jogadores conhecido e com alguns reforços, a comissão técnica de Itamar Schulle não conseguiu, em todo tempo que esteve no comando em 2017, fazer o time render bem. A Série C, especialmente no Grupo A, sempre é muito equilibrada, e não dá tempo para recuperação. Não fossem os deuses do futebol, que fizeram o Belo entrar na zona de rebaixamento apenas na penúltima rodada, mesmo acumulando oito derrotas nos últimos onze jogos, seria normal que ano que vem a equipe disputasse a quarta divisão.

Com o elenco robusto após o Paraibano, vários dos atletas que chegaram não tiveram oportunidade de jogar, enquanto outros, que nada acrescentavam dentro de campo, permaneciam prestigiados.

Talvez a diretoria tenha demorado em tomar a decisão de trocar de comando, muito pela relação pessoal que possuía com o treinador. E quando o fez, repetiu o erro de 2015, quando trouxe Roberto Fonseca para o lugar de Marcelo Vilar, e teve que demiti-lo pelo baixo rendimento pouco tempo depois, quando também sobrou para Ramiro, que assumiu de forma interina, mas pelos bons resultados, foi mantido no cargo até o fim do certame, sem sofrer sustos com relação ao rebaixamento, e ainda chegou a flertar com o G4 em determinado momento.

Com o ano de futebol profissional encerrado, o Belo começa a traçar 2018 por um caminho recomendável. Com a experiência ruim de trocar praticamente todo elenco na virada de 2014 para 2015, o planejamento será feito a partir da escolha do novo treinador, que não deve ser Ramiro Souza. É hora de evitar caça às bruxas, e sim de fazer uma avaliação serena e sensata, admitir erros, pontuar acertos, para que no fim do próximo ano a apreensão seja pelo lado positivo, diferente do que aconteceu em 2017.

Élison Silva
Comentarista e editor do site

Equipe @Vozdatorcida

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