Treinador lembra sucesso no Atlético-PB e demissão relâmpago no Sousa

Foto: Arquivo pessoal

O técnico Cleibson Ferreira foi o entrevistado na Live do VT no YouTube, ontem (14). Um daqueles andarilhos no mundo da bola. Aos 47 anos, como treinador e jogador, passou por vários estados do Brasil e países periféricos do futebol.

Atualmente trabalhando na Bolívia, acertado para assumir um clube quando o futebol retornar, o técnico está parado, assim como todo futebol da América do Sul, enfrentando a pandemia do novo coronavírus. Apesar da pouca idade, Cleibson tem boa bagagem a beira do gramado. Foi pupilo de Maurício Simões ao entrar no mundo das pranchetas, além de ter somado uma experiência na comissão técnica de Vanderlei Luxemburgo no Atlético-MG, em 2010.

– O início da carreira foi em 2006, eu tinha acabado de chegar do Brusque, em Santa Catarina, meu último clube como atleta profissional, e o professor Maurício Simões me fez o convite para trabalhar na comissão técnica do Santa Cruz para minha surpresa, porque foi na Série A do Brasileiro. Foi muito importante, uma experiência super gratificante – contou.

O profissional também conta com passagens pelas áreas técnicas dos campos de Pernambuco, Maranhão e Bahia. E foi em Salvador, quando comandava a equipe do Galícia, que teve a oportunidade de aprender com o vitorioso Luxa.

– Em um treino contra o Atlético-MG, que foi jogar na Bahia, que eu conheci o professor Vanderlei e ele me fez um convite. Passamos um período com ele, foi muito importante para mim também, uma experiência única, super inteligente e me ajudou muito nesse ponto – agradeceu.

Na Paraíba, comandou os dois maiores rivais do sertão, Atlético de Cajazeiras e Sousa, entre os anos de 2016, 2017 e 2018. No Trovão Azul, a passagem de maior sucesso no estado, treinou nos dois primeiros anos do triênio.

Na primeira passagem, veio para salvar a equipe que lutava para não cair, disputando o quadrangular da morte, junto com o Auto Esporte, Santa Cruz de Santa Rita e Esporte de Patos . Com uma excelente campanha, reverteu o quadro de uma equipe que só tinha uma vitória no campeonato e liderou o grupo da primeira até a penúltima rodada.

Essa melhora no desempenho, Cleibson Ferreira atribuiu a uma mudança de postura por parte de todo o grupo e, com o aval da diretoria, conseguiu reunir apenas aqueles que queriam brigar até o fim.

– Nos atletas, a comissão, tínhamos que mudar a postura, o pensamento. Mostrei a eles que tudo era possível, porque era um bom elenco e conversei com a diretoria que aqueles jogadores que não estavam querendo teríamos que tirar. Foi o que aconteceu, tiramos alguns atletas, deixamos alguns que não eram nem titulares, mas queriam jogar, queriam a oportunidade e demos ela. Renderam e conseguimos o objetivo – explicou.

A boa campanha para livrar o Atlético de Cajazeiras da segundona estadual ficou marcada na diretoria e torcedores sertanejos, tanto que no ano seguinte, em 2017, foi lembrado para, na reta final da primeira fase, tentar mais um grande feito, o de classificar a equipe para as semifinais depois de 10 anos.

– Eu estava no futebol do Maranhão, no MAC, tínhamos acabado de chegar às semifinais quando me fizeram o convite para retornar à Paraíba. Chegamos nas últimas rodadas, o time precisava vencer algumas partidas, conseguimos essa vitória, levamos o time às semifinais e perdemos para o Botafogo-PB – lembrou.

Já a passagem pelo rival da Cidade Sorriso não teve o mesmo sucesso. Em 2018, no Sousa, após duas rodadas do Campeonato Paraibano, acabou sendo demitido com um empate e uma derrota. O comprometimento voltou a ser o ponto central para o andamento do trabalho.

– Estava tudo bem, até o momento que começou a competição, houveram alguns desentendimentos com alguns atletas, que no extra-campo não estavam agradando, e eu sou um pouco exigente nesse ponto. Reclamei e exigi algumas mudanças, que não foram feitas – disse.

Um dos motivos da sua demissão, segundo Aldeone Abrantes, foi devido a pressão por parte da torcida e de patrocinadores. Uma pressão que poderia ser devido ao seu passado com o rival de Cajazeiras.

–  O presidente com a diretoria queriam o bem do clube e surgiu essa história do patrocinador, que acredito ser devido ao meu passado no Atlético, ter sido um passado vitorioso lá. Muitos da cidade diziam que eu era torcedor do Atlético, e essa rivalidade eu acredito que pode ter influenciado em alguma coisa. Essa rivalidade pode ter vindo desse suposto patrocinador, que eu não sei até hoje – lamentou.

Ainda lembrou que abriu mão de uma primeira proposta para ir à Bolívia, surgida quando estava fechado com o Sousa. Mas apesar disso e da surpresa pela decisão quando o time, mesmo sem ter vencido ainda, jogava bem, não guarda rancor do que aconteceu.

– Eu abri mão de algumas coisa para estar no Sousa, inclusive para vir para a Bolívia antes, o convite surgiu quando estava no Sousa e não aceitei porque estava no clube. Não minto que me surpreendeu, porque em dois jogos foi a primeira vez na minha vida que aconteceu algo parecido, um empate e uma derrota. Vida que segue, não tenho mágoas de nada – concluiu.

Equipe @Vozdatorcida