Investigação diz que dirigente do Botafogo-PB falava em “passar a mão na renda”

Além da escolha de árbitros para manipular resultados, interferência em julgamentos do TJDF-PB e outras irregularidades, a Operação Cartola chegou à mais um ponto.

A diferença entre públicos presentes e divulgados nos estádios da Paraíba sempre foi notória e ignorada. Porém, um áudio de 16 minutos de uma conversa indicam a prática deliberada de fraude nesta área.

Segundo o site UOL, Breno Morais, vice-presidente de futebol do Botafogo-PB, conversou com o empresário Alex Fabiano, que falava em nome do CSA. Segundo o representante alagoano, na partida do time contra o São Paulo, pela Copa do Brasil, a renda foi de R$ 600 mil, porém o divulgado foi pouco mais R$ 400 mil (R$ 419.504,00).

Poucos dias depois, pela décima rodada do Paraibano, no dia 4 de março, o Belo enfrentaria o Atlético de Cajazeiras, e Breno achou que seria interessante utilizar o mesmo expediente do clube de Maceió, já que a presença de público para a partida estava sendo impulsionado pela contratação do goleiro Saulo, que já havia passado por grandes clubes do país, segundo a investigação da Polícia Civil. Na conversa entre Breno e Alex, receptada pela Operação Cartola, o dirigente botafoguense explicou a situação.

– O cara (Saulo) tem essa fama aí no sul e é pouco conhecido aqui, para não ter muito oba-oba. Vai ter oba-oba ele jogando, mas na chegada dele, na véspera do jogo contra o Atlético, já vendeu 5 mil ingressos. A gente já vendeu e ainda falta amanhã. Dos 5 mil ingressos, deve ter uns mil sócios, então vendeu 4 mil ingressos já. Eu acho que vai vender uns 10 mil ingressos. 9 para 10 mil vendidos mesmo, sabe? Só que a gente tem que passar a mão na renda, né? Porque essa renda é 50% a 50% ou 60% a 40%. Amanhã de manhã eu vou providenciar isso. ‘Ó, essa venda antecipada aqui não tem para ninguém não, não fez foi nada’. Vou tirar pelo menos 2 mil a 3 mil ingressos, eu vou tirar” – diz Breno.

O público divulgado que compareceu ao duelo do Botafogo-PB contra o Trovão Azul foi de 4.607 torcedores, com renda de R$ 65.698,00.

O empresário Alex Fabiano será ouvido pela polícia sobre sua relação com o CSA-AL. À reportagem do UOL, ele garantiu que “quem não deve não teme” e que está”tranquilo”.

– Quando trabalhamos no futebol, recebemos ligações perguntando como é, como são as coisas. Conheço Breno desde 2011, ele sempre liga para mim. Fui pego de surpresa, mas não posso desligar o telefone na cara de um dirigente com quem me dou bem na parte do trabalho e da amizade – afirmou.

Quanto a questão dos ingressos, ele completou.

– Não sou diretor de federação nem de clube. São resenha de quem não tem o que falar. Bobagem – disse.

Segundo o artigo 41-G do estatuto do torcedor, “fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete” pode render uma pena de reclusão de dois até quatro anos e multa, e pode ser aumentada em 1/3 (um terço) se o agente for servidor público, dirigente ou funcionário de entidade de prática desportiva, entidade responsável pela organização da competição, empresa contratada para o processo de emissão, distribuição e venda de ingressos, torcida organizada e se utilizar desta condição para os fins previstos neste artigo”.

Equipe @Vozdatorcida com Gabriel Carneiro e Marcello De Vico/Uol Esporte

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