Editorial: Inábil, FPF ignora questão de saúde pública e terceiriza futuro do Campeonato Paraibano

Foto: Caio Guilherme/ Voz da Torcida

Sem a capacidade de tomar decisões em meio a uma pandemia mundial do vírus COVID-19, que já cancelou eventos como o início da temporada de Fórmula 1, a NBA (Liga Americana de Basquete), o NBB (Novo Basquete Brasil), os jogos das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, Eurocopa, Copa América, torneios organizados pela CBF, Copa do Nordeste e vários estaduais, como Pernambuco, Ceará, Bahia, Alagoas, Sergipe, entre outros pelo país, a Federação Paraibana de Futebol segue alheia e vendo o tempo passar como se nada estivesse acontecendo.

Com uma recomendação da Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba e Secretaria Municipal da Saúde de João Pessoa, de evitar aglomeração de pessoas, a FPF marcou apenas para quinta-feira (19), uma reunião na sede da entidade, onde vai receber dirigentes das dez agremiações que participam do Paraibano para discutir a recomendação do Ministério Público de parar o Campeonato Paraibano ou que os jogos sejam realizados com portões fechados, e os clubes decidirão, a Federação apenas vai homologar.  Isso após a rodada de quarta-feira (18), com dois jogos-fantasmas confirmados, que serão realizados sem a presença de torcedores.

A falta de sensibilidade com a saúde de atletas, comissões técnicas e dirigentes, que seguem vivendo o dia dia dos clubes em contato com pessoas das quais não se sabe a procedência, para jogar em meio a uma pandemia global do coronavírus condiz com o perfil da presidente da FPF, Michelle Ramalho, admiradora do presidente da república, Jair Bolsonaro, que afirmou no fim de semana que a paralisação do futebol, em meio a um movimento para evitar um caos no sistema de saúde do país e preocupação com a segurança da população, seria algo desnecessário e um ato de histerismo.

Talvez por isso a dirigente, enquanto ocorria uma videoconferência que acarretou a suspensão da Copa do Nordeste, tinha foto pessoal recebendo o título de cidadã do município de Cajazeiras no último fim de semana sendo postada no perfil institucional da entidade que deveria cuidar do futebol do estado, de seus filiados e de quem é envolvido com o esporte.

Apoiadora do presidente da república, Michelle Ramalho parece compartilhar a opinião de que os cuidados com o coronavírus é simples histerismo. Foto: Arquivo Pessoal

Entretanto, não cabe apenas à mandatária da FPF a pecha da irresponsabilidade. Alguns clubes seguem no mundo da lua, ou do capitalismo selvagem, sendo contra o fechamento dos portões ou paralisação do Paraibano por conta de possíveis problemas financeiros. Caso de Walter Júnior, presidente do Treze, que disse na segunda-feira (16) que não havia necessidade de mudanças no Paraibano pois no estado não há (até o momento, meio dia do dia 17/03) caso confirmado de contaminação com o coronavírus.

Aparentemente, para o dirigente é preciso que aconteça o pior para que aí se veja o que fazer. Tudo para que seu clube, que teve um planejamento que contou com salários atrasados durante todo ano de 2019, além de vários problemas estruturais, e não parece estar muito melhor em 2020 (onde ao menos os vencimentos do grupo de jogadores está em dia), não sofra as consequências financeiras, deixando a saúde dos próprios atletas de lado.

Nacional de Patos e Sousa também devem priorizar a questão financeira na reunião de quinta-feira. Mas, ao menos o Dinossauro apontou que é favorável a uma paralisação caso FPF ou CBF cumpram seus papéis, que seria de proteger os clubes, e cheguem junto com alguma ajuda para o cumprimento dos compromissos.

Mais estruturado dos times do estado, o Botafogo-PB também não pode ser isento de responsabilidade. Com um elenco que conta com duas estrelas de renome nacional, vice-campeão da Copa do Nordeste, tricampeão estadual e com a situação financeira tranquila, deveria assumir o papel de “autoridade” que tanto exalta e liderar uma paralisação do esporte, pensando no bem-estar de seus torcedores, jogadores, dirigentes e comissão técnica. Interromper os trabalhos e mandar todo mundo para casa, o que vem sendo feito pelo mundo.

Em um país que foi o último a acabar com a escravidão, o último a acabar com a ditadura militar na América do Sul, a Paraíba segue na vanguarda e deve esperar o pior acontecer para, aí, agir. Que não seja tarde demais.

Fazendo nossa parte para não correr risco de espalhar ou nos tornarmos receptores e transmissões do coronavírus, aproveitamos para informar que não iremos aos estádios fazer transmissões ou coberturas dos jogos enquanto a situação de emergência no país estiver vigente.

Élison Silva
Editor do site vozdatorcida.com

Equipe @Vozdatorcida

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