Editorial: Retorno do Paraibano é jogar roleta-russa

Arte: Ana Flávia Nóbrega/ Voz da Torcida

Na véspera do reinício do Campeonato Paraibano, o estado registrou o número de 1.477 casos confirmados e 41 óbitos pela pandemia do novo coronavírus, do total de 63.939 infectados e 1.383 mortos, que causou a paralisação do torneio no dia 18 de março, quando foi registrado o primeiro caso de contaminação na Paraíba.

Como a incidência não diminuiu, muito pelo contrário, e os riscos são maiores agora que quando da interrupção do certame, o Voz da Torcida se posiciona contrário ao retorno do Campeonato Paraibano. Por isso, nossas coberturas nos estádios estão suspensas até que surja uma vacina ou nos sintamos seguros para voltar a fazer a melhor transmissão de rádio e a análise mais independente e imparcial do nosso estado.

Além disso, ainda em março, após a publicação do editorial que considerava irresponsabilidade a demora da Federação Paraibana de Futebol em decidir pela paralisação do estadual, a presença do VT no estádio Almeidão para a partida entre Botafogo-PB 2 x 2 Sousa foi barrada sem qualquer justificativa pela FPF – que inclusive teve dirigente da entidade que telefonou para membro do Voz da Torcida chamando o veículo de “amador”, entre outros adjetivos impublicáveis -, o que leva a entender que tratou-se de represália, pois outros veículos semelhantes, sejam sites ou de transmissões por rádio via internet, puderam fazer-se presentes. Não queremos mais desgaste emocional em meio a uma pandemia que já tirou a vida de mais de 75 mil brasileiros.

Os pontos para que a decisão fosse tomada são os riscos desnecessários gerados. De forma alguma é o momento ideal para retorno do futebol que, por mais importante que seja, não é serviço essencial. Se Shoppings e comércios abrem, são exemplos ruins a não serem seguidos, gerados por uma banalização da morte e indiferença pela vida humana em suposto detrimento pela economia. Além de que, quanto da graça do jogo é perdida com a ausência de seu principal personagem: o torcedor? Ainda mais nas condições apresentadas, com um protocolo pouco compreendido pelos clubes e pessoas ligadas ao jogo, que prevê testagem apenas a cada 14 dias.

Em Santa Catarina, por exemplo, após a primeira partida de retorno do estadual, com exames realizados na véspera do jogo, quatorze membros da delegação da Chapecoense se contaminaram, com o atacante Roberto precisando ser internado, e o governador do estado acabou por suspender novamente a competição. No Campeonato Carioca, houve jogo no mesmo dia que três atletas do Volta Redonda foram detectados com coronavírus, mesmo tendo estado junto de seus companheiros até aquele momento, horas antes da peleja.

Até o início da semana, havia dirigente na Paraíba que achava que após a testagem do fim de junho, não seriam mais necessários exames até o término da competição. Outro cartola tinha o entendimento que os testes eram válidos por 20 dias, enquanto outro pensava que deveria ser feito o teste de Covid-19 antes de cada partida.

Em amistoso no último sábado (11), Treze, Perilima, dirigentes e equipe de transmissão estiveram juntos, burlando decreto do governo do estado que não permitia aquele tipo de atividade, e sequer fizeram os exames rápidos. Neste mesmo duelo, um atleta trezeano que foi diagnosticado com coronavírus no dia 30 de junho entrou em campo sem sequer cumprir os 14 dias de isolamento recomendados pela Organização Mundial de Saúde.

Qual a garantia que o tal protocolo está sendo cumprido se a própria Federação Paraibana de Futebol, no dia que realizou os testes, convocou a imprensa para cobrir o evento na sede da entidade, sem ter comprovação que os profissionais não estavam contaminados?

No dia que realizou testes, FPF convidou a imprensa para a sede da entidade.
Protocolo da FPF não foi respeitado em amistoso que descumpria decreto do governo do estado. Foto: Reprodução

Continuaremos fazendo reportagens, análises e coberturas da maneira que for possível, seja pagando absurdos que os clubes vem cobrando neste momento para exibir as partidas em suas TVs, seja por relatos de companheiros de profissão que temos confiança em sua isenção no exercício de sua função. As lives seguirão na “programação” do Voz da Torcida, assim como os debates para comentar os jogos e acontecimentos relacionados a eles. Opinião isenta e responsável, inclusive com a vida dos atores da bola, não vai faltar para quem tiver interesse.

Por fim, desejamos que nenhum membro de qualquer clube, Federação, árbitros e colegas de imprensa sejam infectados por esse terrível vírus que tem causado transtornos e tristeza em todo planeta, e que não pode, de forma alguma, ser minimizado.

Equipe @Vozdatorcida

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