Em depoimento, testemunha diz ter sido coagido em jogo do Treze

Foto: Edônio Alves/ Voz da Torcida

O ano era 2005. O jogo era entre Treze e ABC, válido pela Série C do Campeonato Brasileiro. O então árbitro da partida teria sido assediado pelo quarto árbitro, José Renato Soares, para jantar com a então presidente da Federação Paraibana de Futebol, Rosilene Gomes.

O relato faz parte do depoimento de uma testemunha, presente no relatório da Operação Cartola, ao qual o Portal Correio teve acesso. Segundo o depoente, o fato foi comunicado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porém nada foi feito. Ele foi um dos denunciantes do esquema investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e que estaria sofrendo represálias, ficando fora da escala de arbitragem.

Ainda de acordo com a testemunha, por conta de sua recusa de participar do esquema de manipulação de resultados, ele sofreu outros tipos de represálias. Uma delas foi no jogo entre Bahia e América-MG, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, uma pessoa ligou para um dirigente do clube baiano e, se passando pelo depoente, teria pedido a quantia de R$ 40 mil. Por conta desse fato, ele teria sido afastado por um mês.

Outro fato aconteceu em na final do Paraibano de 2016, entre Campinense e Botafogo-PB. Segundo a testemunha, o assistente número 2 do jogo, Griselildo de Sousa, conhecido como Sousa Júnior, teria comemorado o gol do Belo (que venceu o confronto por 1 a 0). Segundo o depoente, o auxiliar teria dito: “um a zero para a gente”.

Ele afirmou ainda que tem conhecimento que a manipulação de resultados acontece através do pagamento de valores para membros da FPF e da comissão de arbitragem, para fraudarem o sorteio dos árbitros e “colocarem pessoas indicadas pelos clubes”.

Ele afirmou ainda que teria recebido ameaças veladas de José Renato, ex-presidente da Comissão de Arbitragem da FPF. Também foi dito que as propinas seriam pagas em espécie e pessoalmente para não levantar suspeitas.

Por fim, ele disse que o esquema é dirigido pela diretoria da FPF em conjuntos com os dirigentes dos clubes. Ele afirmou também que as pessoas que não querem fazer parte do esquema, sofrem represálias, deixando de serem escalados para os jogos e sendo ameaçados até de serem excluídos dos quadros da CBF.

O Portal Correio entrou em contato com os citados nesta reportagem. José Renato disse que não iria se pronunciar e nem representantes do Treze nem a presidente Rosilene Gomes foram encontrados.

Equipe @Vozdatorcida com Rammon Monte/Portal Correoio

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