Leston Júnior é apresentado pelo Botafogo-PB na Maravilha do Contorno

Treinador foi apresentado na Maravilha do Contorno na tarde desta sexta-feira (29), e foi abordado sobre vários temas, como o da rejeição da torcida ao seu nome

Foto: Divulgação/ Botafogo-PB

O comandante chegou.

No Centro de Treinamento da Maravilha do Contorno, um dia depois de completar 86 anos de fundação, o Botafogo-PB apresentou seu treinador para a temporada de 2018.

Antes do profissional falar aos jornalistas, o vice-presidente de futebol do clube, Breno Morais, explicou que o próximo ano será diferente dentro do Belo. O dirigente garantiu que o perfil, tanto dentro como fora de campo, será modificado, por isso a escolha do treinador pode surpreender a torcida.

Ainda segundo Breno, cinco nomes estiveram na mesa da diretoria. Depois chegaram a três. Destes, Leston Júnior, de 39 anos, e que esteve no Moto Club-MA na Série C de 2017, foi escolhido, e ele falou a respeito da responsabilidade de estar a frente desta transição que será implantada no Botafogo-PB.

– Fazer algumas mudanças de perfil ao longo de uma caminhada é salutar quando você tem convicção desta necessidade. O trabalho vem sendo feito, o time é o atual campeão Paraibano, existe um trabalho de administração que foi um dos principais motivos que fez eu me colocar a disposição para vir para cá. É um clube organizado, bem gerido. Me coloco desde já à disposição – disse.

Quando o nome de Leston foi anunciado nas redes sociais do clube, a rejeição da torcida foi quase unânime nos comentários. Ciente do acontecido, o treinador falou a como se sente em chegar já cercado de desconfiança.

– A rejeição é subjetiva. Se eu sou torcedor do Botafogo-PB, estaria muito chateado pelo final da Série C. De 9 de setembro para cá, dia da última rodada, o torcedor não teve nenhum fato novo que apagasse aquilo, é uma consequência disso. No Corinthians, no início do ano, a torcida não queria o Fábio Carille. Hoje, 101% da torcida quer que ele fique lá. Futebol é um segmento que envolve paixão. Torcedor quer ganhar, seja com Leston ou Guardiola de treinador. Isso não me tira a tranquilidade. Muito pelo contrário, me dá um efeito positivo. É bom chegar em um clube com respaldo, com condições de trabalho e um nível de exigência alto. Em 2010 eu consegui um acesso no Campeonato Paulista, e em 2012 bati na trave. Em 2014, (na Série C) bati na trave no acesso com o Madureira e em 2015 subi com o Tupi, mas não é por isso que eu era um fenômeno. Não tenho pretensão de dizer que serei o responsável pelos quatro títulos que o clube pode conquistar ano que vem, o treinador é parte disso. Aqui no Botafogo-PB vou encontrar o que tive nos meus melhores trabalhos, retaguarda, boas condições e organização – explicou.

Com quatro competições a disputar em 2018 – Campeonato Paraibano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série C do Brasileiro -, o novo comandante botafoguense foi questionado sobre a pressão por fazer um bom Nordestão, torneio em que o Belo vem devendo bastante nos últimos anos, sempre ficando na última colocação de seu grupo – com exceção de2014 -. Para ele, o clube não pode dar atenção especial à um só certame, mas tem obrigação de entrar sempre para brigar na parte de cima.

– O planejamento precisa ser bem elaborado para toda temporada. Se você cair no erro de se planejar para uma só competição, se você cair, tem que modificar tudo. Vamos fazer desde o estadual à Série C dentro do planejamento do clube. O Botafogo-PB tem que estar sempre brigando por coisa grande em qualquer competição – assegurou.

Sobre a montagem do elenco, o clube deve passar por uma severa renovação no elenco. Antes do treinador falar, Breno Morais disse que além dos nove remanescentes, no máximo mais dois jogadores que estiveram no clube em 2017 podem permanecer. Leston explicou sobre como será o processo para contratação dos jogadores para 2018.

– Toda montagem do elenco passará por um processo de discussão e esgotamento ao máximo de possibilidades para ter o melhor time possível dentro das condições financeiras do clube. Temos que diminuir o máximo o risco de erro. Idade não pode ser pré-requisito. Para jogar no Botafogo-PB tem que ter potencial técnico e se encaixar no modelo de contratação do clube. Hoje no futebol a intensidade do jogo e a exigência física é muito alta. Principalmente no primeiro semestre, quando teremos três competições. A tendência é que um atleta mais jovem se recupere mais rápido. Precisamos ter um elenco equilibrado, tanto na idade quanto nas características. Temos que ter um time competitivo suficiente para sofrer poucos gols e qualificado para propor jogo, para envolver o adversário, ter uma posse de bola agressiva. Garantia de vitórias em sequência ninguém tem, mas aumentamos a possibilidade se tivermos uma equipe sólida – falou.

O jovem treinador disse que desde que recebeu o convite botafoguense já está de olho em possíveis nomes para integrar o elenco da próxima temporada.

– Quem é profissional de futebol vivencia 24 horas. Temos uma programação de reuniões para traçar o que vai nortear o nosso trabalho. Estamos antenados no que acontece em todas as divisões, em todas as regiões, para contribuir no processo de montagem junto com a direção – completou.

Sob o comando de Itamar Schulle, demitido durante a Série C deste ano, o Belo passou a utilizar nomes das categorias de base, como o volante Djavan, que virou titular absoluto nas duas últimas temporadas, o zagueiro Walber, entre outros atletas.

Com experiência em dirigir jogadores jovens, o novo técnico do Botafogo-PB disse que pretende observar os times que disputarão a Copa do Nordeste sub-20 neste ano e da Copa São Paulo de Juniores do ano que vem para avaliar atletas, além de querer ajudar na formação dos garotos botafoguenses antes de chegarem aos profissionais.

– Observar a base é uma das atribuições de um treinador profissional. Tive a felicidade de trabalhar por sete anos em categorias de base de outros clubes. Mais importante que dar oportunidade (no time principal) é formar bem. Tem que formar bem para ter o retorno técnico e financeiro do jogador. No que pudermos somar na transição e na formação do atleta vamos ajudar – garantiu.

Com um acesso à Série C no currículo, comandando o Tupi-MG, em 2015, Leston Júnior minimizou o peso dessa conquista para que a diretoria escolhesse seu nome para estar a frente do clube no ano que vem. Ele lembrou a fala do vice de futebol, dizendo que foi feito praticamente um processo de seleção para que se chegasse no profissional ideal. Além disso, lembrou que antes de chegar à disputa da terceira divisão existem outros torneios que o clube tem responsabilidade de disputar bem.

– As competições do primeiro semestre darão sustentação para que cheguemos forte na Série C, para conquistar o objetivo não só do torcedor, mas de qualquer profissional, da direção. Ele representa prestígio, visibilidade, recursos financeiros. É um processo. Precisamos inicar bem, no dia de hoje, para que no fim do próximo ano o clube possa ter possibilidades do sonho do acesso. Conhecer a competição, ter conquista, soma. Mas temos outras três competições. O processo que o clube passou para a escolha do meu nome foi longo, a direção sabe de todas as características – finalizou.

Equipe @Vozdatorcida