Capitão do Treze explica como lidou com provocações de botafoguenses

Foto: Divulgação/ Treze FC

A bolha que acompanha o futebol nas redes sociais, da última sexta-feira (31), quando o Botafogo-PB venceu o Treze por 2 a 0, no primeiro jogo das semifinais do Paraibano, até a quarta-feira (05), tocavam quase duas notas só: a classificação do Belo estava garantida e o zagueiro Breno Calixto, que dias antes do jogo em João Pessoa publicou que nunca havia perdido um clássico, era um mero “marketeiro”.

As críticas e acusações vinham de todos os lados, inclusive de trezeanos que não acreditavam mais nas chances de seu time reverter a situação. Entretanto, o que se viu na partida de volta, no Amigão, foi um Galo diferente, correndo e se esforçando mais que o normal. Mesmo com suas evidentes limitações técnicas, venceu por 2 a 0 nos 90 minutos e, nos pênaltis, garantiu a classificação para a decisão.

Breno Calixto, capitão alvinegro, contou ao Voz da Torcida como foi lidar com a situação nos dias que precederam o segundo jogo do mata-mata contra o Belo.

– Depois que perdemos o primeiro jogo, recebi algumas críticas. A minoria da torcida do Treze falando para deixar a rede social e focar em campo, como se atrapalhasse alguma coisa. Gente que não tem o que falar e quer inventar um assunto para jogar a culpa da derrota em cima de uma pessoa. Mas eu sou um cara diferente, eu amo crítica. É delas de onde tiro minha superação. De onde vi, da favela, a gente lida com pressão a todo momento. Quanto mais me criticam, mais quero dar a volta por cima. Se continuarem me zoando, como a torcida do Botafogo-PB fez depois do primeiro jogo, e fiquei calado pois eles estavam no direito deles, tem que zoar mesmo, mas se eu ganhasse, sabia que ia ter o retorno. Aceitei, eu li, vi tudo, gosto de ver tudo. Pode me xingar a vontade. No dia do jogo, abri o Twitter e dei algumas respostas do que achei injusto, alguns maldosos. Quiseram me jogar contra a cidade, contra a torcida. A torcida do Treze entendeu minha mensagem e concordaram. Eu tenho peito para assumir e superar as críticas. A resposta veio terça. Meu respeito não foi conquistado em rede social, foi conquistado dentro de campo, jogando bem, fazendo gols, ajudando com vitórias – disse o defensor.

As críticas e zoações dos torcedores botafoguenses impulsionaram e foram a base do discurso motivacional para que, mesmo em grande desvantagem, o elenco trezeano não desistisse de tentar buscar o lugar na final do Paraibano. Breno Calixto também fez questão de elogiar o trabalho do técnico Moacir Júnior, que soube lidar muito bem com a situação e tirar o melhor tecnicamente e emocionalmente de seus comandados.

– Antes do segundo jogo, o Moacir (Júnior, treinador), que é muito inteligente, sabia que não ia entrar tanto a parte tática, porque nessa pausa já treinamos bastante, ele procurou encher nossa mente de esperança e confiança. Em nenhum momento eu achei que não dava (para classificar). Pela zoação da semana, a torcida do Botafogo-PB dizendo que já era, foi muito bom para a gente. Nosso discurso foi de confiança, a diretoria também apoiou, a comissão técnica, eu, como capitão, dizendo que dava. Na roda antes do jogo, usei exemplos do Frontini, do Dedé, que já superaram outros resultados. A gente pretendia fazer três logo para matar o jogo. Fomos melhores no jogo inteiro, só o Treze jogou. A imposição no jogo foi reflexo da semana, do trabalho do Moacir. Colocamos tudo em prática, foi incrível, e deu tudo certo. Passamos sufoco de bola parada, ponto forte do Botafogo-PB, mas é normal. Mas essa classificação ficou para a história. Os próprios torcedores, poucos acreditavam, e a gente conseguiu reverter – comemorou.

A expectativa para a decisão e um possível fim de jejum de nove anos sem títulos martela a cabeça de todo alvinegro. Entretanto, no domingo (09), o Treze estreia na Série C enfrentando o Imperatriz-MA, no Amigão. Ano passado, o time só escapou do rebaixamento na última rodada, e Breno Calixto sabe que a equipe não pode perder pontos neste início, pois é muito complicado recuperar na sequência do torneio, que ele considera o mais difícil dos últimos anos.

– A gente tem que virar a chave pois vai começar o campeonato mais importante do Treze no ano. O Paraibano está sendo muito importante para nós, conseguindo a vaga na Copa do Brasil e está em jogo a Copa do Nordeste, são recursos para o clube, mas não dá para comparar com um campeonato nacional. É uma chave muito difícil, uma das mais difíceis que já vi, com muitos times tradicionais. Nos jogos em casa, temos que tentar ao máximo os três pontos, não tem jeito. Não podemos correr o risco do ano passado, de perder ponto em casa. Queremos estar na parte de cima da tabela. Estamos com a cabeça na final, mas tem a Série C também. Vamos virar a chave nesses dias, não sei se alguém será poupado, mas eu estou à disposição, pronto para o jogo. A final é o jogo do primeiro semestre, talvez do ano para a gente, porque é a tão esperada final depois de nove anos, quando podemos ganhar o título. Um clássico que vai ficar na cidade de Campina Grande. São os dois melhores times do campeonato, chegaram merecidamente. Estou muito confiante no título, no trabalho do Moacir, estamos a flor da pele para que chegue quarta-feira, para fazer um bom jogo e sair com a vantagem. É um clássico de 180 minutos, não podemos nos abrir também, sabemos das qualidades do Campinense, tem o artilheiro do campeonato, temos que redobrar a atenção. Vai ser um jogo de guerra, que vai parar Campina Grande e a Paraíba inteira. Com humildade, pés no chão. Zoei para caramba, mas agora é foco total, respeitando, deixando a zoação de lado. É um grande clube, estão na final por méritos. Mas estou muito confiante no título – concluiu.

Depois da estreia na Série C, o Galo da Borborema disputa as finais do Paraibano na próxima quarta-feira (12) e sábado (15), às 15h45 e 16h, respectivamente, contra o Campinense.

Equipe @Vozdatorcida