Com propostas, Piza aguarda rescisão com Botafogo-PB para definir futuro

Foto: Edônio Alves/ PhotoSports/ Voz da Torcida

Há pouco menos de uma semana da sua demissão do Botafogo-PB, o treinador Evaristo Piza segue com sua família em João Pessoa, onde fixou residência nesses um ano e oito meses que dirigiu o clube da Maravilha do Contorno.

Em entrevista ao Voz da Torcida, o profissional diz já ter recebido propostas para seguir sua carreira. Com os estaduais parados devido a pandemia global do coronavírus nos dois centros de onde teve sondagens, Piza não tem pressa para decidir. Além disso, o técnico ainda aguarda a rescisão oficial com o Belo, e pretende ter tempo para descansar do desgaste causado pela pressão sofrida nos últimos meses enquanto dirigia o time pessoense.

– A princípio, ainda estou aguardando os acertos da parte final com o clube (Botafogo-PB). A gente se desligar oficialmente. Tem que ter a rescisão do contrato. Tô aguardando em casa. Acredito que até a sexta-feira da semana agora deve-se resolver isso. Depois pensar, tiveram alguns sondagens de já engatar um trabalho na sequência. Optei em agradecer, uma oportunidade em São Paulo, no Sertãozinho. E agora um convite do presidente do River, do Piauí. Mas acho que está muito em cima ainda para já engatar um outro projeto. Foram quase 22 meses, então preciso descansar um pouquinho. Rever os erros, ver o que a gente fez de bom. Para aí sim ter um fôlego renovado para iniciar um outro trabalho – disse.

Apesar de sua saída não ter acontecido da melhor maneira, uma vez que o técnico expôs uma falta de entendimento com Ariano Wanderley, que não demonstrava confiança e, indiretamente, tentava interferir nas escalações, Piza guarda mais boas do que más recordações do tempo que passou na capital paraibana.

– De tudo que eu vivi aqui, minha família está aqui junto comigo. As pessoas, a beleza dessa cidade, o povo paraibano. Nossos torcedores, os verdadeiros, que tivemos muitas alegrias juntos. O título do tricampeonato, a final da Copa do Nordeste, alguns grandes jogos que nós tivemos e que a torcida foi fundamental. Eu lembro muito do mata-mata contra o CSA, lembro da semifinal contra o Náutico, lembro do título. Uma marca legal também, eu joguei sete clássicos e não perdi nenhum aqui. Foram cinco vitórias com o Campinense, uma vitória e um empate contra o Treze. O povo paraibano, o tricampeonato, os números também são importantes. Foram 73 jogos, 36 vitórias, 23 empates e apenas 14 derrotas. Sendo quatro dessas derrotas por necessidade de pôr uma segunda equipe. Foram as duas ano passado contra Perilima e Cajazeiras, com a equipe reserva. E esse ano os empates contra CSP e São Paulo Crystal. Marca também o grande jogo que fizemos contra o Fluminense no Maracanã, onde virou 0 a 0. O Fluminense ganhou no segundo tempo por erros de arbitragem, acabou atrapalhando o nosso jogo. Enfim, muitas coisas boas. Acho que foram mais boas do que decepção – afirmou.

Evaristo Piza fez questão de ressaltar a confiança que tinha do presidente botafoguense, Sérgio Meira, e afirmou não guardar mágoas do clube. Apesar disso, acredita que sua saída não foi justa, tanto pelo retrospecto citado quanto pela forma que acabou acontecendo.

– Não, do Botafogo-PB não. O presidente estava conduzindo bem. Só achei ali, da maneira que foi, me chateou um pouco. O fato de eu estar liderando o grupo da Copa do Nordeste, estar invicto no estadual e daí uma demissão por uma derrota. Eu acho que a gente teria que ser cobrado pela derrota contra o Santa Cruz, no Arruda, por ter um jogador a mais. Mas não era necessário ter a demissão. Poderia sim chamar uma conversa, uma cobrança. Não só na comissão técnica, como nos atletas. Era o momento de me dar a mão e não pisar na minha cabeça. Pelo fato dos números e pelo fato de estar liderando o grupo. Mas eu acho que foi de um cunho político. Não foi da vontade do Sérgio Meira. O Sérgio sempre mostrou um respeito muito grande por mim e disse sempre, em alguns entrevistas, que eu seria o treinador do acesso. Agora pessoas que estão ao redor do Sérgio, que estão com uma visão diferente, com pouca participação no futebol. Desde quando eu renovei o meu contrato, eles já estavam querendo me tirar. Então isso não foi agora, eu já comecei tendo que dar respostas em todos os jogos. Até o momento que eles tiveram uma oportunidade, até então não tinha. Eles queriam me derrubar depois do jogo contra o Atlético-PB, eu consegui a classificação. Aí na sequência a gente liderando as competições. Perdi para o Fluminense e eles tentaram. ‘Pô, mas fizemos um grande jogo, vai tirar o Piza por quê?’. Viemos em casa, ganhamos do Imperatriz e fomos vaiados pelos seis torcedores que desde o América de Natal estão atrás do banco me xingando, criando situações mentirosas, dizendo que eu ofendi a torcida. Nunca fiz isso, até tenho um respeito muito grande pelo torcedores. Aí no primeiro deslize nosso, nessa derrota, eles tiveram oportunidade de pisar na cabeça ao invés de dar a mão e nos resgatar, nos dar uma oportunidade – concluiu.

Equipe @Vozdatorcida