FPF pressiona clubes a “cumprir regulamento” e voltar o estadual

Foto: Raniery Soares/Paraíba Press/FPF

Na semana em que o Brasil bateu o número de 50 mil mortos por coronavírus, sendo um dos epicentros globais da doença que paralisou campeonatos nacionais no mundo inteiro, adiou as Olimpíadas e diversas atividades esportivas, o regulamento do Campeonato Paraibano foi usado para pressionar dirigentes a voltar a colocar o time em campo para a sequência do estadual, que está agendada para 18 de julho.

Em Live no Podcast Minutos Finais, realizada na quinta-feira da semana passada (18), o presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, afirmou que essa abordagem vem sendo feita pelo diretor executivo da Federação Paraibana de Futebol, Otamar Almeida, com os dirigentes, para tentar convencê-los a aceitar retomar o campeonato, que está paralisado desde 18 de março, ou da sua oitava rodada (exceto para o Botafogo-PB, que tem um jogo a menos), faltando duas partidas para o fim de sua primeira fase.

– A presidente tem batalhado pelos clubes, mas nessa parte (de retorno ao campeonato) quem está dialogando é Otamar. Ele usa o tom de alegar regulamento, que tem que cumprir, e não vejo que tem que ser para esse lado, não é hora disso. É hora do diálogo, da conversa. Vamos ver como fazer, como viabilizar, todo mundo junto. A partir do momento que você diz que tem que voltar de todo jeito, e pagar a taxa como se fosse normal, é duro. Como em uma situação caótica dessa, ainda tem questão de taxa – lamentou.

Aldeone Abrantes e Michelle Ramalho, presidente da FPF, na festa de lançamento do Paraibano 2020. Foto: Arquivo pessoal

Aldeone também lamentou que esse tipo de pressão seja utilizada em um momento de sensibilidade em todo planeta, quando todos passam por alguma forma de dificuldade devido ao coronavírus, seja com perda de familiares, temor de contaminação, dificuldades financeiras, entre outras.

Para o mandatário sousense, a empatia deve ser exercida antes de impor um retorno forçado ao estadual. Sousa e Nacional de Patos, por exemplo, são contra o retorno, enquanto apenas os times que receberam auxílio financeiro da CBF por disputarem torneios nacionais, casos de Treze, Botafogo-PB, Atlético de Cajazeiras e Campinense, se manifestaram a favor até o momento.

– Estamos vivendo um momento emotivo, não estamos vivendo no “dura lex, sed lex” (a lei é dura, mas é lei). O mundo vive um momento de solidariedade, não “é assim e pronto”. Pode até haver não campeonato mais. Pode ser que não haja mais. Ou você acha que um questionamento em época de pandemia, até do ponto de vista jurídico, não terá um peso muito grande? É um momento de calamidade pública. É preciso se entender. Quem pode fazer renúncia, que renuncie. Quem pode ajudar, que ajude – disse.

Equipe @Vozdatorcida