Genivaldo explica episódio de sua saída do Botafogo-PB

Foto: Divulgação

Genivaldo Ribeiro defendeu as cores do Botafogo-PB entre 2010 e 2015, conquistando 4 títulos e defendendo a meta por 210 oportunidades. Durante quase toda sua passagem, conviveu com a idolatria por parte da torcida, que carinhosamente o chamava por “Genibanks”, alusão ao lendário goleiro inglês Gordon Banks, e de Paredão. Mas imagem esta que acabou sendo arranhada no seu último ato pela Maravilha do Contorno.

Um fato, especificamente, é bastante lembrado por aqueles que tecem críticas ao goleiro, sempre questionando o seu status de ídolo em decorrência de sua atitude num momento de tensão entre diretoria e jogadores. O fato ocorreu em 18 de setembro de 2015, quando o Belo estava com débito salarial de um mês com sua equipe, que decidiu não treinar naquela data enquanto dirigentes não comparecessem para prestar esclarecimentos.

Segundo o ex-dirigente Breno Morais, em entrevista em maio de 2018, o responsável por defender a meta botafoguense foi um dos cabeças do movimento, traindo a confiança que havia sido depositada nele após anos de ótima relação. Devido ao ocorrido, o goleiro e outros envolvidos no episódio não tiveram seus contratos renovados ou foram rescindidos ao final da temporada.

– Em 2015 houve uma greve de jogadores numa sexta-feira, aqui no Almeidão. Estávamos com um mês de salários atrasados e os caras fizeram uma greve. O senhor Genivaldo foi um dos que comandou a greve. Eu, particularmente, cheguei nele e falei “Genivaldo, você é um cara que sabe que vamos pagar. Estamos em uma situação difícil, mas você sabe que daqui não sai ninguém sem receber o dinheiro que nós propusemos em contrato.” Mas ele respondeu assim “isso daqui é um grupo e tenho que segui-lo.” Muito bem, esse é o caráter dele que muita gente não conhece. Então, quando o grupo todo foi demitido, ele foi junto – afirmou.

Durante a live do Voz da Torcida, na noite de terça (26), Genivaldo teve a chance de se defender das acusações de chefiar o movimento. Para o atleta, que hoje defende o Ferroviário-CE, foi jogada uma culpa em cima de si que não condizia com o que, segundo ele, teria acontecido.

– Nesse dia eu estava no lugar errado, na hora errada. Porque eu estava voltando de lesão, não sabia o que estava acontecendo. As coisas aconteceram de um forma que eu fiquei triste, eu não sabia do que tava acontecendo, se ia ter greve ou não. Eu tava no DM, para se ter ideia, não estava jogando. Quem não está jogando não pode nem opinar em nada, eu não podia falar. Se os caras queriam fazer, o que eu ia fazer? Brigar com todo mundo? Não podia – argumentou.

O atleta ainda argumentou que os dirigentes, por ele ser o mais experiente do grupo, queriam que ele intercedesse pela diretoria e conversasse com o grupo para contornar a situação, mas que era um problema que não tinha como ele resolver.

– Não tinha como eu pedir pra 25, 30, que de repente não queriam, e só eu correr ao redor do campo. Infelizmente, na época eu era um dos mais velhos e queriam que eu tomasse a frente. O que eu vou fazer? Estava voltando de lesão, não podia manifestar muita coisa. As coisas aconteceram de um forma que eu falei “quer saber”, eu também estava com salário atrasado na época, então o que eu tinha que fazer era que se todo mundo parar, eu também vou parar, se não parar, vou treinar – disse.

Esses acontecimentos abalaram de vez a sua relação com a diretoria do clube no momento, com Breno Morais revelando que ele nunca mais jogaria no Botafogo-PB enquanto este ainda fizesse parte do comando. Para o goleiro, tudo isso foi muito triste e não é a forma que a carreira dele foi gerida no futebol.

– Isso me magoou muito, porque eu sai daí de uma forma que não condiz com minha pessoa. Passei em tantos clubes e nunca tive problema. Infelizmente sobrou na minha conta um negócio que muitos, 20, queriam parar, dois, três, não, e eu não poderia forçar todo mundo a treinar – lamentou.

Equipe @Vozdatorcida