“Se tiver que escolher entre perder e empatar, quero empatar”, diz Schulle

Foto: Cristiano Santos

Com 5 empates em 6 jogos neste seu retorno ao Botafogo-PB, após o 1 a 1 contra o time quase todo reserva do Mirassol na noite de ontem (03), no estádio Almeidão, em jogo válido pela décima segunda rodada da Série C, o treinador Itamar Schulle, além de perder a chance de se classificar antecipadamente para o quadrangular do acesso, ouviu vaias e críticas mais pesadas ao seu trabalho, que tem ainda menos de dois meses.

Após sair atrás no marcador em uma falha do goleiro Victor Golas, o Belo buscou o empate com Adilson Bahia ainda no primeiro tempo e, a partir daí, o jogo foi morno e as melhores chances ainda saíram para a equipe paulista, já classificada e rodando elenco pensando na próxima fase.

Ao fim do jogo, muitas vaias foram direcionadas do pequeno público que compareceu ao Almeidão, mas o técnico garante que está tão incomodado quanto quem o critica, e explicou as alterações, sempre “6 por meia dúzia”, trocando uma posição por outra, sem mudanças em esquema ou postura em campo, que foram questionadas ainda durante a partida.

– Respeito muito o torcedor, cada um tem sua opinião e a torcida está livre para expressar o que ela sente, e ela não é mais torcedora do que eu sou, porque ela vem aqui torcer e vai para casa, e eu dependo disso, é o meu trabalho. Fizemos um jogo consistente, tomamos um gol muito cedo, e precisamos buscar forças para buscar o empate. Foi um jogo disputado, franco, tivemos que fazer umas mudanças necessárias, não tinha outras opções. O único que consegue fazer milagre é Deus. O Iago (Teles) está chegando agora, o Ratinho com 15 minutos estava cansado, pediu substituição. O PH estava com cartão amarelo, desgastado, então colocamos jogadores descansados. Colocamos Marcelinho no ataque, Nádson por dentro. A gente tem que respeitar disso, e cada um sabe de sua função, da parte física, jogadores que estavam parados, no DM, e estavam retornando. Alguma outra troca a gente não consegue fazer, mas estamos felizes por estar dando ritmo aos atletas e com o DM vazio, ao contrário do que quando nós aqui chegamos – explicou.

Durante a preparação para o confronto de ontem, o técnico do Botafogo-PB perdeu definitivamente Gustavo Coutinho, artilheiro do time na temporada com 19 gols, e o zagueiro Paulo Vitor, jovem canhoto que era o atleta que mais entrou em campo em 2022 vestindo a camisa do Belo. Sem reclamar das baixas, o comandante admite que os jogadores fazem falta.

Ainda de acordo com Itamar Schulle, com o material humano que tem, ele reconhece que o número excessivo de empates nos últimos jogos chama atenção, mas ressalta algo que vem repetindo em toda entrevista: que todo ponto precisa ser comemorado.

– Não venho lamentar se perdi zagueiro titular, se perdi o atacante artilheiro, mas não venho fazer disso uma muleta. Falei aos atletas que somos todos limões, e temos que fazer deles uma limonada, e só existe um caminho, que é o treinamento, que é o que a gente não falta, que temos feitos, e procurar a evolução. Tudo que a gente conquista com dificuldade na vida, isso nos dá orgulho lá na frente. É atrás disso que nós vamos. Eu quero a  vitória, mas a gente não pode perder. A derrota é sempre pior. Se eu tiver que escolher entre perder e o empate, eu quero empatar. Precisamos vencer, e vamos continuar trabalhando, tendo calma, fazendo uma conscientização de tudo que é possível melhorar – disse.

Questionado sobre alternativas para fazer o time produzir mais em busca de uma vitória que pode lhe classificar na próxima partida, ainda de forma antecipada, se uma delas seria optar por Alessandro na ala esquerda e usar um esquema com 3 zagueiros, alto já testado ainda por Gerson Gusmão na competição, Itamar Schulle não descartou oficialmente a possibilidade, mas declarou que a falta de tempo para treinar dificulta a possibilidade.

– Tudo vai de você ter espaço de treinar um pouco. Nós jogamos, vamos trabalhar quem não jogou e depois já temos outro jogo. Não é só “coloca 3 zagueiros, 2 alas e vamos jogar”. Já joguei aqui mesmo em outras oportunidades com 3 zagueiros, até com Djavan, para jogar com os alas para frente, mas a gente prioriza o que a gente trabalha e o que os atletas assimilam melhor – comentou.

O próximo compromisso botafoguense será mais uma vez no Almeidão, e de novo contra um time da parte de cima da tabela. Entre as equipes do G8, o Belo venceu apenas o Volta Redonda, fora de casa, na oitava rodada. Na segunda-feira (08), o time da Maravilha do Contorno encara o Figueirense, atualmente na terceira posição, com 29 pontos, um a mais que os próprios paraibanos, e a primeira fase se encerra visitando a Aparecidense, que está na nona colocação, com 25 pontos.

Equipe @Vozdatorcida