Torcedoras falam sobre a ocupação das arquibancadas dos estádios por mulheres na Paraíba

Foto: Suelânio

Desde sempre a participação da mulher no esporte é desencorajada, fato que pode ser reafirmado pelo criador dos Jogos Olímpicos da era moderna, quando em artigo publicado em 1938, o Barão Pierre de Coubertin declarou que o esforço físico da prática esportiva era indecente, e que elas não teriam espaço na competição. Em suas palavras, “talvez as mulheres compreenderão logo que esta tentativa não é proveitosa nem para seu encanto nem mesmo para sua saúde. De outro lado, entretanto, não deixa de ser interessante que a mulher possa tomar parte, em proporção bem grande, nos prazeres esportivos do seu marido e que a mãe possa dirigir inteligentemente a educação física de seus filhos”.

Com o avanço do feminismo na sociedade nas últimas decadas, mesmo com os movimentos terem sido iniciados desde o século XIX, o sexo feminino passou a ocupar espaço que lhes foram retirados pelo machismo impregnado e enraizado na formação das pessoas desde o berço. Um desses espaços reinvidicados é o da arquibancada dos estádios de futebol.

Quando vemos campanhas para a presença de famílias no chão de concreto quente das pelejas do esporte bretão, naturalmente vem à cabeça a imagem do pai com seu filho homem, jamais pai e filha, mãe e filho, muito menos mãe e filha, e sequer cogitado marido com sua esposa.

Na Paraíba, a Federação Paraibana de Futebol foi dirigida entre 1987 e 2014 por Rosilene Gomes, afastada do cargo por irregularidades na sua última reeleição. Ainda assim, por sua pouca representatividade para o gênero dentro do esporte, os movimentos femininos nas arquibancadas no estado são recentes, mas vem de todos os cantos.

Do alto sertão, a juventude feminina nos estádios pode ser representada por Mariana Silva, de 19 anos, estudante de educação física e torcedora do Sousa. Ela também faz parte da Organizada Resistência 91, junto de suas amigas Mônica Barbosa, Cândida Sousa e Ágatha Sousa, de 30, 27 e 18 anos, respectivamente.

Foto: Arquivo pessoal

Para Mariana, a presença delas nos jogos significa um ato de resistência.

– Ser representante feminina na arquibancada é um ato de resistência. Sabe-se que a mulher não é totalmente aceita em todos os campos arcaicamente ditos como masculinos. E o futebol tem disso, ser o palco para homens. O futebol paraibano, os campeonatos masculinos, tem muito mais visibilidade que o feminino. Representar o papel feminino, principalmente quando a gente tenta contribuir na construção de valores culturais. Essa cultura de achar que mulher não entende, que não deve estar no estádio, ainda existe. Mulher em estádio é resistência – disse.

Por mais que as cores das camisas sejam diferentes, a paixão pelo futebol, que não tem gênero, une Marina com a botafoguense Gabriela Costa e atleticana Marina Duarte.

“A paixão pelo futebol a gente não sabe como explicar, ela simplesmente acontece. O futebol está no sangue da gente, na nossa cultura, enraizado, é pré-requisito de ser brasileiro. É ir para estádio, ficar feliz com seu time, ter representatividade em estádios. A pessoa pode trocar de conjuge, casa, trabalho, mas a paixão pelo futebol permanece intocada sempre. É um sentimento de felicidade, de alegria. Não existe um sentimento tão bom para explicar o que o futebol me proporciona.”

Mariana Silva, torcedora do Sousa

“Lembro-me que mais ou menos aos 6/7 anos de idade, na escola existia uma regra que só os meninos jogava futebol no intervalo e na aula de Educação Física. O professor disponibilizava o campinho para os meninos e em um local reduzido, disponibilizada outros tipos de bola para as meninas, menos a de futebol. Em casa, meu tio assistia os jogos todas as tardes de domingos, e eu achava aquilo o melhor momento do dia, o mais esperado. Eu assistia e entendia as regras, mesmo que eu me perdesse em algum momento, meu tio estava ali me explicando. Aquilo era muito massa e eu sentia vontade de pôr em prática. Na escola, eu e mais duas amiguinhas (que também gostavam de jogar/assistir futebol), só tínhamos oportunidade de jogar na hora da saída, quando algum coleguinha tinha alguma bola e ficava chutando no campinho esperando os pais dele irem buscá-lo. E jogávamos felizes. Aos 10 anos, quando troquei de escola, tive uma professora mulher da disciplina de Educação Física. Nas aulas práticas, ela colocava TODO MUNDO para jogar (sem excluir ninguém). Aí foi quando eu passei a ter mais contato com o futebol, entendendo bem as regras e praticando como eu sempre quis. Desse momento em diante, a paixão só fez aumentar, eu só fiz me aproximar mais do futebol e a praticá-lo (mas só brincando mesmo rs). Oportunidade de ir ao estádio eu só tive mesmo em 2012/2013, beirando os 18 anos de idade. Antes disso eu não ouvia falar muito bem do futebol do Estado e não tinha sido nunca convidada a ir ao Almeidão. Após ter ido a primeira vez, eu tive curiosidade em acompanhar o clube da minha cidade, já que de vez em quando eu me questionava tanto sobre “torcer por algo que não me representava”. Nessa época eu comecei a ter mais consciência sobre o que era o futebol, qual era a força do futebol, sobre o que uma torcida representava e todas essas questões que são discutíveis. Muitos questionamentos surgiram e a cada ano eu fui me livrando da força midiática que estava imposta sobre minha pessoa por anos e anos. Daí então não parei mais de ir aos jogos do Belo, me apaixonei pelo Clube e pela sua história, e principalmente por ser da Paraíba.”

Gabriela Costa, botafoguense

“Então, poderia ser clichê eu dizer que o futebol é uma paixão inexplicável. Mas não é clichê de jeito nenhum. É uma paixão que realmente ninguém explica. No futebol em si, enquanto se retrata as emoções do seu time que você é fanático, que você torce… Se torna mais inexplicável ainda. Você chega a perder o sono, chega a perder a fome, na hora do jogo chega a perder o raciocínio, que já aconteceu comigo. Que é você querer fazer algo, mas o nervosismo daquele momento não deixava. Então é, realmente, a paixão pelo futebol é algo inexplicável de fato.”

Marina Duarte, atleticana

Outra coisa em comum que elas têm é certa resistência familiar, mesmo que não clara, pelo simples fato de serem mulheres que vão aos estádios, torcem e acompanham suas equipes.

“Não sofro repúdio na convivência familiar. Mas acredito que, algumas coisas como o sexismo ainda são muito presentes, o que mulher deve fazer ou não deve fazer. Participo de uma torcida na cidade de Sousa e não é muito bem visto. Ninguém diz para eu não ir ou reclama, mas com certeza ficam com o pé atrás quando digo que vou para o estádio sozinha com minhas amigas.”

Mariana Silva

“Passamos por situações delicadas não necessariamente em casa, mas dentro da família ouvindo frases e palavras com tons preconceituosos por ser uma mulher que frequenta estádios de futebol, que viaja para ver jogos de futebol e que vivencia isso.”

Gabriela Costa

“Se eu chegar e disser que vou para Patos amanhã para ver um jogo “menina, tu não tem o que fazer, não? Vai estudar”. Tem esse tipo ainda de resistência… quer queira, quer não. Mas nada muito tão grave. Elas sabem que eu sou apaixonada, soltam aquela farpa naquele momento, mas depois perguntam se foi tudo tranquilo… Se ganhou, se perdeu. É uma coisa mais leve.”

Marina Duarte

Casada com um torcedor trezeano, a raposeira Thais Soares tem uma rotina tranquila até em dias de Clássico dos Maiorais. Porém, conhece amigas que não tiveram a mesma oportunidade e acabam sendo podadas de exercer sua paixão nas arquibancadas do Estádio Ernany Sátiro.

– Desde criança tive a sorte de poder respirar futebol, praticamente cresci nas arquibancadas, vivendo o dia a dia do Campinense Clube e sei que sou privilegiada nesse sentido, pois conheço muitas meninas e mulheres que infelizmente não conseguiram ou não conseguem ter a mesma liberdade de torcer, de frequentar o estádio ou até praticar o esporte para não ir contra seus pais ou maridos. É uma realidade muito triste e ultrapassada, até porque o esporte é universal. Por isso costumo dizer que, para torcer, não precisamos de nada além do amor, sentimento livre e gratuito, que não tem cor, sexo ou religião, todos são passíveis de amar um clube de futebol. Em dia de clássico, costumo ir junto com meu marido para o estádio, mas nos separamos no momento de entrar, pois cada um vai pra o setor de sua torcida. Ele torce para o time rival, mas acho muito importante esse respeito que existe por minhas escolhas – declarou.

Thais Soares, no meio da torcida do Campinense no Amigão

Infelizmente por ocupar um espaço exageradamente machista, as mulheres acabam passando por situações contrangedoras para colocar sua paixão pelo clube a prova. Pedidos de escalações, questionamentos sobre posicionamento de jogadores, anos em que foi campeão e até o orçamento das equipes são feitos constantemente como uma tentativa de legitimação para ocupação daquele espaço.

“As mulheres ainda sofrem preconceito de não serem boas o suficiente para gostarem de tais coisas que são taxadas coisas de homem. Nunca precisei legitimar minha condição de torcedora para ninguém no estádio. Mas, em um momento nas minhas férias, em um shopping do litoral, eu estava usando a camisa da minha torcida e um homem veio perguntar se eu sabia da escalação do meu time, do investimento, da posição dos jogadores. Não existem movimentos femininos que lutem por essa causa, pois não existe visibilidade. Não existe alguém que chegue primeiro e queira lutar por essa causa porque é uma causa perdida. Mas a Resistência 91 foi a torcida mais recente que vi ter mulheres, e somos quatro, um grupo de resistentes. E somos a resistência nesse grupo resistente”

Mariana Silva

“Uma menina relatou recentemente em nosso Instagram que passou a ser julgada depois que casou, ela escuta coisas do tipo: “você só pode ir pro jogo se for com seu marido, estádio não é lugar de mulher casada ir sozinha”. E a outra menina, que tem 20 anos, mas vai escondida ao estádio porque o pai proíbe ela de ir, e quando ele vai, nem leva ela, porque para ele, estádio não é lugar para mulher. São alguns relatos que recebemos que faz com que a gente nos una cada vez mais.”

Gabriela Costa

“As pessoas precisam ultrapassar essa ideia patriarcal que coloca a mulher em posição de submissão. Nunca que as mulheres necessitam da legitimação de algum homem para exercer seu direito de torcer, de frequentar uma arquibancada ou até ocupar cargos no clube ou nas torcidas, esses lugares também são nossos por direito.”

Thais Soares

Nos últimos anos, os primeiros movimentos realmente organizados de mulheres nos estádios começaram a aparecer na Paraíba, do litoral ao sertão. Entretanto, o estágio ainda é embrionário e busca atrair mais adeptas para nossas praças esportivas. Em João Pessoa, uma torcida achamada Alvinegras 1931 chega como precursora.

– Até onde nós sabemos, nunca existiu movimentos femininos de arquibancada no Almeidão, as Alvinegras 1931 é a pioneira no Botafogo-PB – afirmou Gabriela Costa.

Gabriela Costa faz parte da torcida Império Alvinegro e toca instrumentos durante as partidas no Almeidão

“Minha história com o Atlético de Cajazeiras, que é o time que eu acompanho arduamente, vem desde 2012. Mas poder estar no campo, acompanhar em jogos fora, foi a partir de 2014. Então são 6 anos. Eu me via como única ou uma das únicas nesse meio, representando a mulher na torcida do Atlético, principalmente em jogos fora. Mas admito que no decorrer desses anos, hoje em 2020, é bem mais fácil você ver mulheres no campo tanto nos jogos em casa, quanto nos jogos fora. Pelo menos algumas a mais. Ainda é bem menos, bem abaixo do que se espera. Mas foi muito importante pra mim. Eu, no mínimo, influenciei uma pessoa, que foi minha irmã mais nova. Então me sinto, vamos dizer que, importante nesse meio aqui em relação ao Atlético. É tanto que teve tempo em que eu até cheguei a dirigir um núcleo feminino, pra ver se atraia mais mulheres e vi que realmente teve função. Deu fundamento nessa torcida porque hoje é a coisa mais simples que se tem aqui em Cajazeiras, é encontrar muitas mulheres na arquibancada, e muitas que fazem questão de acompanhar o time fora de casa, que é uma coisa que eu faço, com certeza.”

Marina Duarte

“O futebol, assim como a sociedade brasileira, infelizmente carrega uma herança machista muita forte. Mas hoje em dia, cada vez mais, nós mulheres, buscamos nos engajar em espaços que também são nossos, sobretudo as apaixonadas por futebol, nas arquibancadas.
Os movimentos femeninos vêm crescendo cada vez mais com a participação ativa das mulheres na arquibancada, acho muito importante, inclusive, quando há a organização em torcidas, a criação de núcleos femininos, a adesão aos programas de sócio-torcedor, a compra de ingresso e dos materiais do clube ou até quando viajamos para para acompanhar os jogos em outras cidades… Porque demonstra que todos os torcedores têm a mesma importância, que vibramos, sofremos, gritamos e respiramos o futebol, sem diferença de sexo. Creio que ainda estamos muito longe do cenário ideal, mas graças a nossa luta diária por nosso espaço, estamos conseguindo nos engajar cada vez mais.”

Thais Soares

“Acredito que a luta da mulher para conquistar esse espaço no futebol paraibano precisa de muita coisa. A gente tem espaço sim, mas é um espaço extremamente irrisório perto da dimensão do espaço que o homem tem. Com certeza mulheres queriam participar mais do ato de ir para o estádio, de acompanhar o time de perto. Precisamos avançar muito nessa luta, precisamos ir à frente, tentar conseguir tudo que a gente ainda não conseguiu. Temos potencial, temos como conseguir ter mais visibilidade no esporte, no estádio. Acredito que se a gente se unir, vamos conseguir. Somos mulheres que precisam ser vistas, e não falo só das torcedoras, falo também das jogadoras, que não tem visibilidade. Temos times que não têm futebol feminino. Temos que ganhar mais espaço dentro do esporte paraibano.”

Mariana Silva

Depois da saída da Rosilene Gomes da Federação Paraibana de Futebol em 2014, a entidade que rege o futebol do estado passou por uma junta administrativa, formada por três homens, depois Amadeu Rodrigues foi eleito e posteriormente afastado devido a envolvimento na Operação Cartola, que investigou uma organização criminosa suspeita de manipular resultados nos campeonatos de futebol na Paraíba, e depois de uma celeuma jurídica com Nosman Barreiro, ex-vice-presidente que queria assumir a FPF de qualquer maneira, mas não tinha legitimidade, outra mulher, Michelle Ramalho, se tornou presidente da Federação.

Michelle falou sobre sua representatividade no cargo para as mulheres.

– Acho importante as mulheres acompanharem o nosso futebol. É uma honra, até porque sou mulher, isso mostra que nosso trabalho está colhendo os frutos, que era de fazer as mulheres e crianças voltarem aos estádios – disse.

Para Michelle Ramalho, que trabalhou como advogada de clubes, da CBF e foi membro do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, não há preconceito com relação a presença de mulheres em cargos como o que ela ocupa. Mesmo sendo a única mulher que chefia uma Federação no país, a dirigente vê isso apenas como a falta de vontade de outras de estarem ocupando funções de destaque.

– Não há preconceito. Existem poucas mulheres (no futebol), mas acho que é por opção delas, pois na hora que resolvi abraçar o futebol, fui bem recebida pelos colegas presidentes, pelos advogados. Não existe preconceito, existe vontade ou não-vontade das mulheres de participarem – afirmou.

“Ter Michelle Ramalho como presidente da Federação é uma grande representatividade. Me sinto representada por ela chegar onde ela chegou, por ser uma mulher chegando em um lugar que, teoricamente, seria de um homem. Acho que outras mulheres em outros estados deveriam ter esse privilégio, digamos assim, de chegar a esse posto. Foi um avanço muito grande no futebol da Paraíba”

Mariana Silva

“Nós nos sentimos representada por ela ser uma mulher e estar ocupando um cargo de tanta importância na federação. Mas, temos nossas críticas por ela ser mulher e não levantar nenhuma bandeira para defender as mulheres nos estádios da Paraíba. Precisamos além da representatividade de ser somente mulher, precisamos de punho firme e luta. Não existe a -conexão federação-torcedora.”

Gabriela Costa

“Me sinto muito representada até porque antes, mesmo sendo uma mulher a frente, eu não me sentia representada pelas falcatruas que tinha, pela roubalheira que se tornaram manchetes nacionais. Mas com Michelle Ramalho eu me vejo muito representada, até pq ela demonstra ter pulso forte, não é atoa que alguns concorrentes dela, na presidência, estão querendo estragar o campeonato. Mas mesmo assim ela tá se mantendo. A gente viu uma grande evolução, principalmente no que era mais escasso aqui, no futebol paraibano, que era a arbitragem… O mais vergonhoso de tudo. Desde o ano passado a gente viu uma evolução com Michelle Ramalho no comando e acho que ela só tem a crescer. Ela tá tentando organizar, sempre tem alguém ali tentando derrubar, mas pelo pulso firme dela e pela consciência que ela tem em tudo que ela vai fazer, por todo o planejamento, me sinto muito representada e acho que ela vai levar e elevar o nosso futebol paraibano bem longe.”

Marina Duarte

“Creio que atualmente Michelle Ramalho seja a única mulher que preside uma federação estadual de futebol em todo o país, fato que demostra a ausência de representatividade efetiva das mulheres no meio futebolístico, principalmente em cargos de importância, assim como em muitos outros setores da nossa sociedade. Respeito muito o trabalho que ela vem realizando, inclusive ver uma mulher jovem em um cargo de tamanha expressão no meio futebolístico, torna-se um incentivo e muitas vezes até inspiração para outras que muitas mulheres que almeijem ocupar espaços dentro de seus clubes, nas suas torcidas ou até em outros aspectos de sua vidas pessoais.”

Thais Soares

Presente em qualquer lugar da sociedade, o assédio importuna mulheres em casa, nas ruas, bares, igrejas, não importa o local. Dentro de um ambiente machista como o estádio de futebol, não é diferente.

“Nunca sofri assédio ou preconceito nos estádios. Mas tenho uma amiga que já foi muito assediada em um jogo em João Pessoa, quando os meninos viam ela com um short e ficavam proferindo palavras de baixo calão por ela estar com uma camisa de um time rival, e falando coisas como ‘se eu te comesse você trocaria de time'”

Mariana Silva

“Eu, particularmente, não. Mas há relatos de meninas que já sofreram assédios dentro do estádio Almeidão.”

Gabriela Costa

“Na torcida do Atlético, sou sincera a dizer que nunca sofri nenhum tipo de assédio porque sempre fui muito respeitada e até hoje sou. É tanto que hoje, por ser jornalista e estar na área do jornalismo esportivo, posso a qualquer momento estar em um camarote da TV, na parte de cadeiras ou até mesmo dentro do campo. Mas eu prefiro estar no meio da torcida porque é ali que me sinto bem. É outra dimensão. Então na torcida do Atlético eu nunca sofri assédio. Os torcedores mais antigos já sabem como eu sou e aceitam. O último assédio que sofri foi em Campina Grande no primeiro jogo da semifinal entre Campinense e Atlético (2019) onde, no fim do jogo, só tinha eu e outra menina, acho, de torcedora. Mas eu gosto de ficar ali no alambrado incentivando, gritando, xingando e, ao fim do jogo, fui cotada como “rapariga”, “prostituta” por alguns gandulas do Campinense que estavam no gramado. Por estar mais perto do campo, eles faziam os xingamentos e dava pra escutar. Acho que esse foi o único fato de preconceito que eu senti, me senti mal… Até o meu time conseguir um empate fora de casa (risos).”

Marina Duarte

“Infelizmente o machismo ainda está muito presente em nossa sociedade, mas nesse aspecto, me sinto também privilegiada em poder estar em um espaço onde sou respeitada.
Espero que um dia todas as meninas e mulheres possam sentir-se a vontade para frequentar qualquer espaço que lhe achar cabido, principalmente as arquibancadas dos estádios para poderem torcer por seus clubes do coração.”

Thais Soares

Equipe @Vozdatorcida com colaboração de Ana Flávia Nóbrega, Izabel Rodrigues e Fabiano Sousa